segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

 


Na fibromialgia, a dor não começa em um músculo machucado nem em uma articulação inflamada. Ela nasce no cérebro. O sistema nervoso passa a interpretar estímulos comuns — como toque, movimento, frio, calor ou até o descanso — como sinais de perigo. O resultado é uma dor intensa, difusa e persistente, que se espalha por todo o corpo.


Esse fenômeno é chamado de sensibilização central. O cérebro perde a capacidade de regular corretamente o volume da dor e passa a mantê-lo constantemente alto. Assim, pequenas sensações se transformam em sofrimento real: queimação, peso, choques, rigidez, cansaço extremo. O corpo inteiro entra em estado de alerta, mesmo sem lesões, inflamações ou alterações visíveis em exames.


Por isso, a fibromialgia não é inflamatória, não é autoimune e não é psicológica. Ela também não se encaixa totalmente na neurologia clássica nem na reumatologia inflamatória. No CID-11, é reconhecida como dor crônica primária, uma condição própria, com mecanismo predominante no sistema nervoso central.


Quem vive com fibromialgia enfrenta uma luta diária contra uma dor invisível. Dormir não recupera, repousar não alivia completamente e o corpo parece nunca desligar. Ainda assim, muitos seguem trabalhando, cuidando, existindo — mesmo quando tudo dói.


Entender que a dor da fibromialgia nasce no cérebro não diminui seu impacto. Pelo contrário: explica por que ela é tão intensa e tão real. Reconhecer isso é o primeiro passo para o respeito, o tratamento adequado e a empatia com quem convive, todos os dias, com um corpo dominado pela dor.

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