Vivemos em uma época em que a imagem deixou de ser apenas expressão e passou a ser exigência. Não basta ser, é preciso parecer. E, nesse movimento silencioso, o sujeito vai sendo moldado por um ideal que nunca se alcança.
O culto aos padrões estéticos produz uma forma sutil de sofrimento: a sensação constante de inadequação. O corpo deixa de ser vivido como morada e passa a ser tratado como projeto interminável de correção. Nada parece suficiente. Sempre falta algo. Sempre há um “defeito” a ser apagado.
Do ponto de vista psíquico, esse fenômeno revela mais do que vaidade: revela uma busca desesperada por aceitação. Quando o olhar do outro se torna a principal medida de valor, o sujeito se distancia de si mesmo. E quanto mais tenta se encaixar no ideal, mais se perde da própria identidade.
A sociedade não vende apenas beleza, ela vende a ideia de que o valor humano está condicionado à aparência. E isso produz uma geração exausta, comparando-se o tempo todo, vivendo entre filtros, espelhos e cobranças internas.
Talvez a pergunta mais importante não seja “como me encaixar nesse padrão?”, mas sim: o que esse padrão está fazendo comigo por dentro?
Porque, no fim, nenhum corpo perfeito sustenta uma alma em conflito consigo mesma.
Severino Angelino
Psicanalista
Bel em Direito Escritor|Graduando em Fonoaudiologia.

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